sábado, 31 de dezembro de 2016

Feliz Ano Novo? Novo mesmo? Hummmm..




Sem querer ser a diferentona, aquela pessoa do contra ou que nada acredita e, deveras, ao mesmo tempo sendo um cadinho ou quem sabe um tantão. Nunca tive o hábito de comemorar ano novo, Natal, aniversário....etc, seguindo esta linha por aí. Por questões de criação religiosa e pesquisas, sempre encontrava no fundo destas tradições, uma adoração à algum tipo de deidade e sendo até então cristã, não fazia sentido este ecumenismo pois, segundo a religião, estaríamos prestando adoração à outros deuses, sendo que  apenas haveria um único verdadeiro criador do Universo a quem deve única e exclusivamente toda adoração. Por certo, foram anos dentro de uma bolha. Nunca me senti aflita ou desejosa de participar de tais comemorações haja vista que as mesmas não faziam sentido para mim. E mais ainda é perceber que as pessoas que tanto persistem nestas comemorações, sequer têm a noção da mensagem que as mesmas querem passar.Mensagem seria na minha visão, o cerne de tudo. Qual a razão de tantas comemorações? Que necessidade as pessoas tiveram para reservar dias para a mudança disto ou daquilo? Sabemos que ano novo é apenas um dia para o outro. O que muda no cosmos? O que muda na minha vida? Que energia é esta tão forte que influencia até na cor da roupa que usamos? Será mesmo? Historicamente, sabe-se que povos antigos, festejavam as datas das colheitas, adoravam o deus Sol, como é o caso da origem do Natal, relembrava em festejos a libertação do período de escravidão, como era o caso da Páscoa original comemorada pelos Israelitas, etc.. Eram sinais e momentos de reflexões. REFLEXÕES, RE...
Será? Quando ouço músicas de pagode a um nível elevado de decibéis e as pessoas gritando porque o som não lhes permite serem ouvidas, eu me pergunto: como se processam essas comemorações e onde está então o novo? Para a política sim, entrada de um novo prefeito, novo reajuste salarial, novas perspectivas para a Economia em caso de mudança de presidente também, entre outras questões. Digo na questão do Eu, o que muda? Nada, nada muda. Sei que cada pessoa tem o seu ano pessoal e que sim, na data do seu aniversário passam-se ciclos onde se cada um permitir, o novo ciclo poderá de fato ser considerado novo.Para tanto, há a necessidade de Reflexões..RE, dar a marcha ré não no sentido de viver pro passado mas olhar para ele com flexão, flexionar as atitudes, amolecer o que precisa ser amolecido e enrijecer o que precisa ser enrijecido, caso contrário, viveremos na ânsia de novos tempos que NUNCA chegarão. Sejamos esta mudança que tanto desejamos. Mudemos o nosso proceder sempre refletindo cada ato e deixando um legado de sabedoria e paz para as próximas gerações.  Feliz Metamorfose!

Iracema Correia



quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Dezembro e o amor.



Ele teve seu prestígio, mas acabou sendo trocado pela paixão instantânea e pelo sexo ocasional. Estou falando do amor, lembra dele? Pois é, já viveu melhores dias. Nessa era dos entusiasmos superficiais, ficou cafona falar de amor. Casais agora se unem por desejo, oportunidade ou conveniência. Todos querem se apaixonar amanhã e somar mais um nome ao seu currículo pessoal de aventuras, mas cultivar um amor para sempre? Cruzes. O amor, para os desencantados do século 21, deixou de ser fotogênico e inspirador. Já deu os versos que tinha que dar. Quem teria paciência e tempo, hoje, para se dedicar a uma só pessoa? O amor faz sofrer e, além disso, não rende uma boa história para repartir com os amigos, não vira matéria de Segundo Caderno, foi barrado das redes sociais.

O amor segue valorizado, apenas, no cinema e nos livros. A arte ainda investiga esse sentimento que teima em não ser da forma que o idealizamos. O amor quase sempre se apresenta como difícil, seja por diferenças raciais, sociais e de idade, ou porque um dos amantes é casado, ou por ser vivido à distância, ou ainda porque as famílias não aprovam a união, no melhor estilo Capuleto e Montecchio (só que em vez de os pais encrencarem, agora quem encrencam são os filhos do primeiro casamento).

Ainda assim, eu arriscaria dizer que nada é mais poderoso do que o que a gente sente. Nada. Nem mesmo o que a gente pensa.

O amor é bem mais exigente do que a paixão efêmera: ele pressupõe a construção de duas vidas a partir de uma simples troca de olhares, que é como tudo geralmente começa. Enquanto a paixão se esgota em si mesma e não está interessada no amanhã, o amor é ambicioso, se pretende eterno, e para pavimentar esta eternidade não mede esforços. É uma loucura disfarçada de sanidade.

Não fosse uma loucura, o amor não seria o que é: lírico e profundo, rebelde e transformador. Amar é a transgressão maior. É quando rompemos com a nossa solidão para inaugurar uma vida compartilhada e, portanto, inédita.

Só mesmo a loucura inclassificável do amor para fazer as pessoas criarem trigêmeos, trocarem de sobrenome, dividirem o mesmo banheiro, relacionarem-se com os parentes do outro e achar tudo isso normal e inebriante.

Mesmo desprestigiado, devemos muito a ele. “Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.” São Paulo, primeira epístola dos coríntios, cap. 13, v 1-7. Eis um pouquinho de reflexão neste mês natalino, em que o amor sai do limbo, ganha novo fôlego e avisa que ainda está vivo. Seu aparente descrédito é consequência da pressa de viver, da urgência dos dias, da necessidade de se “aproveitar” cada instante, como se amar fosse um impedimento para o prazer. Francamente, o que se aproveita, de fato, quando não se sente coisa alguma? A resposta é: coisa alguma.

https://www.facebook.com/CronicasDeMarthaMedeiros


terça-feira, 13 de dezembro de 2016

COPIEI, COLEI, ME IDENTIFIQUEI E AMEI.



"Disseram pra ele que as coisas deveriam ser exatamente do jeitinho que são e ponto final. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que trabalhar era algo abominável, um mal necessário e um castigo. Disseram que existiriam dias intermináveis que o tempo pareceria nunca passar para que enfim terminasse o martírio de mais um expediente de trabalho. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que o diploma era algo tão importante que ele deveria, a qualquer custo, ainda que sem projeto, propósito ou vocação, vagar por qualquer faculdade, não importasse em qual curso, para deixar a sua família muito orgulhosa. Além disso, disseram pra ele que as festinhas regadas a bastante bebida e drogas o tornariam parte de uma elite intelectual e descolada de nosso País careta e analfabeto, pois um diploma pendurado na parede seria um grande diferencial, necessário e suficiente para o seu sucesso. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que empreender e correr riscos era algo abominável, que um emprego com estabilidade era o bicho e que todos que acreditassem ser possível construir um projeto grandioso seriam considerados sonhadores alienados, bitolados, pobres coitados, dignos de pena e alvos de muitas gargalhadas em rodas de amigos. Eles garantiram a ele que esses sonhadores desajustados sempre acabariam explorados pelo sistema inescrupuloso e insaciável. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Eles também disseram pra ele que horário de trabalho que se preze seria no máximo de 9:00h`as 18:00h, mas que de preferência que fossem em meio expediente, de segunda a sexta, porque o domingo era dia de assistir programas de auditório na TV, dia de lavar, com o som tocando bem alto, minuciosamente o carro pago em 60 prestações pra depois seguir para a um churrasco na laje e, ao final do dia, começar a se lamentar nas redes sociais porque a segunda feira já está chegando. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que a casa própria, paga em 30 anos, financiada por um banco do governo, era sinal de status e segurança, ainda que no final fossem pagos mais de 3 vezes o valor de uma casa e que isso acabasse lhe prendendo a uma cidade, tirando-lhe a mobilidade de aceitar um desafio profissional ou negócios em outro Estado ou País. Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele que quem nasce pobre morre pobre, que existiam cartas marcadas, que SOMENTE prosperava quem se envolvesse em algo ilícito ou quem ganhasse na Mega Sena. Disseram que quem não tivesse capital, morreria com suas idéias debaixo do braço e que NADA poderia ser feito para mudar esta situação. Também disseram pra ele que, na dúvida, seria melhor seguir o fluxo, para que no mínimo, esta prerrogativa pudesse ser usada como um bom consolo e justificativa para sua frustração no futuro. Disseram também para ele, em todas as rádios e programas de TV, que a melhor filosofia de vida seria a do "Deixa a vida me levar..."
Ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Disseram pra ele muitas outras coisas, como "mais vale o certo do que o duvidoso", que rico é tudo safado, que pobreza é uma virtude, que o Brasil é um país que não tem jeito, que o valor do jovem é muito pequeno por não ter experiência. Disseram pra ele de forma enfática: as coisas são desse jeitinho há séculos, ponto final e não se discute mais. Infelizmente ele acreditou, não questionou e apenas seguiu a boiada.
Só não disseram pra ele que sucesso é uma ciência exata que todos podem aprender. Também não disseram pra ele que não questionando e apenas seguindo a boiada, ele vai passar pela vida realizando muito pouco, apenas como um a mais numa imensa multidão de descontentes. Também esqueceram de dizer pra ele que o seu valor era enorme e que, independentemente de sua origem social, raça ou orientação sexual, ele poderia transformar a sua realidade e mudar o mundo e influenciar a todos ao seu redor.
Esconderam dele que, apesar da crise econômica, há várias pessoas vencendo no Brasil que começaram do zero e romperam enormes barreiras sociais e mudaram o destino de seus sobrenomes.
Esqueceram de dizer pra ele que a maioria dos que ganham na loteria empobrece poucos anos mais tarde, que a MÉDIA salarial de um jogador de futebol é menor do que a média de um professor, que as subcelebridades dos reality shows têm uma efêmera fama que é muito diferente de sucesso e que logo caem no ostracismo e que devemos escolher melhor os nossos referenciais a serem seguidos.
Que pena que não disseram tudo isso pra ele. Por isso, ele terminou sua vida enterrado num cemitério juntamente com todos os seus projetos, sem ter desfrutado da conquista de todos eles com a sua família e sem ter deixado legado algum para as próximas gerações.
Um grande desperdício..."

Flávio Augusto do "Geração de valor"

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Não erramos quando amamos.




O destino deste amor é que tem que ser melhor direcionado. Somos o que podemos ser. Cada um só dá o que tem.
Recentemente li uma citação onde a autora descreve as mulheres como seres românticos que amam. Que interpretam um olhar de tesão como amor. Um gesto de atenção como amor, que vivemos eternamente a espera do Príncipe Encantado. Uma mulher subitamente comentou que isso era a herança de uma sociedade patriarcal, onde acreditamos e esperamos este amor e que precisaríamos desconstruir isto. Porque devo eu desconstruir-me? O que seria então este Príncipe Encantado? Nas versões modernas das princesas, são homens apoiando mulheres fortes, guerreiras que lutam pelos seus ideais mas que não perdem a delicadeza de ser feminina. O problema é quando, por cegueira auto imposta, confundimos o cavalheiro com o cavalo. E mesmo recebendo coices e pontapés, continuamos na luta insensata de querer transformar o “bicho  irracional “ num ser encantado.  Não erramos em amar e sonhar com um companheiro amoroso, carinhoso, atencioso e compreensivo. Erramos sim, ao destinar este amor para quem não nos corresponde. Mas precisamos saber o que queremos. A pergunta é : o que quero então para mim? Cada um sabe a sua resposta. Só não nos demos fáceis demais “ para quem não parece capaz de cuidar do que possui.” Há de haver em algum lugar alguém que se encaixe com a sua forma de amar.

Iracema Correia