segunda-feira, 21 de maio de 2018

Eu, Mamãe & Nosso Relacionamento Abusivo ( Por Raquel Gonçalves - 8 de dezembro de 2017)





É mãe, quem diria que um dia eu teria coragem suficiente para assumir a mim mesma que nosso relacionamento (se é que pode-se chamar assim) é um abuso da sua autoridade e da minha paciência.
Você e seu jeito sutil de impor coisas através da ideia de que caso não o fizesse, perderia seu amor. Quantos gritos ouvi, quantas palavras de ódio, quantas ameaças e palavrões adentrando meu peito como uma adaga que perfura a alma, e consegue fazer meu amor próprio ir pelo ralo. Mas nunca foi por mal, não é mesmo, mãe? Sempre foi por amor. Sempre foi porque você queria me proteger do mundo e suas garras.
Estive lembrando noite passada de como você me prendeu numa jaula da mesma forma que a madrasta de Rapunzel a prendeu naquela alta torre. Você cortou meus cabelos quando não me permitiu correr atrás de meus sonhos; prendeu-me numa torre quando bradou aos quatro ventos que eu deveria permanecer naquela casa para cuidar de você caso estivesse doente, e cegou todos os príncipes que se aproximaram com a acidez de suas palavras sobre como eu era uma relaxada que não daria conta de cuidar de marido e filhos.
E aí vem outra questão: de onde você tirou a ideia de que minha vida resume-se a buscar um bom casamento? Mãe, eu nasci para conquistar o mundo, e não para ser conquistada por ele. Desculpa se isso é o fel que amarga sua garganta, mas é verdade. Talvez por isso você sempre tenha tentado de toda forma me fazer desistir; deve ser insuportável perceber que a menina educada para ser princesa, dona de casa, bela, recatada e do lar, nasceu para ser guerreira, dona de si, linda, espontânea e do bar. 
O que mais quis foi ter com você um laço de amizade. Gostaria de poder lhe contar sobre minhas dúvidas, incertezas, dores e desejos, mas como fazê-lo se a cada palavra recebia de volta a rispidez de frases que diziam que eu era incapaz, frágil e não chegaria a lugar algum na vida? Como ter por melhor amiga alguém que aparentemente torce por meu fracasso? Desculpa mãe, mas você é a responsável pelo abismo existente entre nós.
Ainda na infância você já evidenciava seu narcisismo; se meu pai sorria a me ver, você reduzia a expressão a uma carranca, e se ele me trazia um presente, prontamente você questionava sobre o seu. Se meus avós me bajulavam, você me mandava ficar no quarto, longe das visitas, e se era elogiada na escola, logo ouvia-lhe enaltecer a boa educação recebida de ninguém menos que você mesma. Você sempre se pôs em primeiro lugar, e tentou de toda forma abafar meu brilho; talvez por eu ser uma garota, talvez por ter projetado em mim suas frustrações, talvez por não haver desejado a gravidez… Talvez por perceber desde cedo que me prendendo só daria ainda mais impulso às minhas vontades.
Então mãe, hoje eu vim expor umas verdades e agradecer por outras. Vim tomar um café olhando meu reflexo no espelho, enquanto vejo as marcas físicas e interiores deixadas pela sucessão de desaforos e afrontas recebida diariamente.
Mãe… mamãezinha querida. Obrigada pelo menosprezo, e por avisar todos os vizinhos sobre minhas roupas jogadas no chão. Obrigada por não se despedir de mim quando eu saía porta à fora para trabalhar enquanto você dizia que eu deveria ficar em casa lhe ajudando. Foi chorando no trajeto que percebi que teria de lutar muito para chegar onde queria. Foi me sentindo só que descobri que a solidão pode ser um massacre ou um álibi, tudo depende da sua força de vontade.
Obrigada por dizer que eu era feia por estar gorda, e ainda mais feia por haver emagrecido. Obrigada por rir das feridas em minha pele, e também do meu novo corte de cabelo. Obrigada por dizer que não sei me vestir, e por fazer questão de mostrar às visitas meu tênis sujo. Ouvindo suas palavras aprendi a melhor me arrumar, e a amar cada centímetro meu (na marra). Aprendi que não importa o que pensem de mim, o que vale é estar bem comigo mesma, e dessa maneira me tornei uma moça linda, mesmo que você nunca vá assumir isso.
Valeu mesmo por reclamar constantemente do peso de ter se casado com meu pai, e por sempre que possível esfregar em minha cara que além de ter se casado você foi engravidar. Obrigada por ressaltar o quanto é desgastante ser mãe e esposa. Mas sabe, hoje sei que na verdade você não queria ser mãe; bastava-lhe ter filhos. Você não quis ser esposa; queria apenas ter um casamento. Você nunca quis assumir uma tarefa mãe, você apenas gostava de atuar.
Que você seja recompensada por desmoronar com minhas conquistas, e por tentar a todo custo me fazer abrir mão de ser a mulher que sempre sonhei. Cada palavra dura, cada desaprovação, cada enxurrada de lágrimas choradas sozinha em meu quarto, ou na rua, no ônibus, na faculdade e até mesmo no banho lavaram-me a alma e fortaleceram para o que ainda estava por vir. Seu azar foi pensar que assim como você eu não era capaz de aguentar um terremoto; enquanto você se abala com tremores de terra ou danço em meio ao fogo, logo, nada me assusta.
Parabéns mãe por durante todos os anos desmoronar com minha autoestima e por não apoiar nenhuma de minhas escolhas. Parabéns por me fazer acreditar que se não seguisse à risca seus ensinamentos não seria digna de seu amor. Eu corri atrás de uma sombra de aprovação com a mesma ferocidade que um leão persegue sua presa. Até que um dia percebi que estava correndo atrás do vento, ou seja: eu nunca iria alcançar meu objetivo. Quando se ama, ama-se ao primeiro olhar, e não ao último esforço.
E quando me dei conta disso, deixei de subir sua escada que cada dia era mais íngreme e escorregadia. Percebi que mesmo que subisse ao último degrau ainda não seria o que você sonhou, e não apenas porque você exigia de mim algo muito grande, mas principalmente porque por você mãe, eu estava me tornando tudo o que não queria ser.
Então mãe, obrigada. Obrigada mesmo. Obrigada por seguir tão bem seu próprio plano que acabou cega e não percebeu que nosso “relacionamento” era o combustível de minha revolta. Obrigada por não se dar conta de que dentro de sua menininha há um mulherão, e isso nem mesmo você pode mudar. Saiba que logo você me verá conquistando tudo aquilo que você rogou dizendo que não serei capaz, e que ficarei feliz vendo mais uma vez seu olhar de lamento e desaprovação, por que, infelizmente, isso é o máximo que consigo de você.
Fique tranquila, apesar das marcas não carrego mágoas em meu coração. Vendo suas atitudes percebi que sou bem mais que isso, e que coisas ruins bastam às que já enfrentei. Continue com sua vida e que eu continuarei insistentemente conquistando a minha. E se um dia for mãe, farei o possível e o impossível para todos os dias entregar aos meus filhos o amor que tanto quis ter.
Mais uma vez mãe, obrigada. Principalmente por ser meu primeiro relacionamento abusivo, e com isso me preparar para suportar e abolir os demais que ainda viriam, consequentes dos seus abusos que outrora eu chamava de amor.

Retirado do site Fãs da Psicanálise
"Esta carta é um desabafo, que pode representar um grito de todas as filhas de mães que apresentam Transtornos Narcisistas Patológicos. Vivemos numa sociedade que iguala a palavra MÃE À PALAVRA AMOR. Enquanto isto, muitas filhas adultas sofrem em silêncio pela vergonha de não se sentirem a altura de serem amadas por suas mães. Ditados como: " Toda mãe é igual , só muda o endereço" é extremamente cruel e generalista. Pessoas que foram vítimas de mães narcisistas não se devem sentir culpadas por não atender as expectativas desta sociedade que cobra a perfeição da família. Maiores esclarecimentos e se você se identifica com trechos desta carta. Busque ajuda terapêutica. O livro Prisioneiras do Espelho, um guia de liberdade para filhas de mães narcisistas da autora Michelle Engelke, como o próprio título diz, é um manual de ajuda para filhas que sofreram abusos emocionais durante toda a vida e hoje, desejam libertar-se."
Iracema Correia

sábado, 19 de maio de 2018

Dinâmica das relações familiares com pais tóxicos.







(...) " Não há sequer outra interpretação. É perigoso minimizar, ignorar, ou tentar varrer para debaixo do tapete mau comportamento quando és confrontado com a hipótese de ter que lidar com predadores sociais.

CONTINUAÇÃO - TRAIÇÕES FAMILIARES

Crimes morais são daquelas injustiças que geralmente, ninguém pode muito bem responsabilizar outra pessoa social ou legalmente. Comportamento deplorável, continua a ser deplorável quer seja uma pessoa presa por isso ou não.
Crimes morais são coisas como promover ou apoiar discursos de ódio, contar mentiras para evitar responsabilidade pessoal, enganar amigos e família para esconder uma acção e fazer coisas como, simplesmente comportar-se em público de uma maneira enquanto se age totalmente diferente em privado, seja em que circunstância for.

Em famílias que vivem em uma casa com muitos filhos, pais tóxicos estrategicamente triangulam filhos/as e netos/as.

Triangulação é feita com a intenção de promover a rivalidade entre irmãos, e muitos cidadãos seniores tóxicos que criaram filhos para competir social e emocionalmente para ter a sua aprovação, atenção e afecto (assim como protecção) tipicamente declaram terem sido criados ao estilo Narcopata pelos seus pais ( Traduzido de um site de língua Inglesa, esta informação não se remete a Portugal). Mais - cidadãos seniores tóxicos que criaram famílias divididas tendem a declarar que também cresceram afastados de seus irmãos emocional, física, ou psicologicamente. Isto não é uma coincidência, como podemos constatar.

Quanto mais tóxico é um progenitor - especialmente uma mãe ou uma figura materna - mais probabilidades há, de os irmãos serem educados a pensar como conformados, competindo entre os membros da família indicados como alvos ou bodes espiatórios fazendo lembrar a história Bíblica de Abel e Caim.

Figuras maternais Narcisistas têm tendência para prosperar social e emocionalmente, esmiuçando as suas crianças umas contra as outras. Quanto mais uma criança se esforça para ganhar o "amor" da mãe, mais as outras crianças se vão sentindo menos amadas, menos apreciadas, com menos valor, no fundo - que NINGUÉM GOSTA DELAS.

Ter pais que de facto, gostam de ti - ao invés de simplesmente dizerem em tom vazio (aos outros) que te amam - é uma coisa maravilhosa. Pessoas que crescem tendo uma relação pessoal de união verdadeira de amor com seus pais tendem a ter famílias estáveis e vidas preenchidas.

Mas pessoas que cresceram com figuras que declaram coloquialismos estúpidos como: "Porque eu sou tua mãe e eu é que sei!" em vez de falarem com um tom verdadeiro de alegria e amor, sentem constantemente a picada das palavras, pensamentos e sistema de credos aceites pela sua mãe tóxica.

Pais cruéis irão difamar uma criança da mesma maneira que um irmão/irmã irá fazer tudo o que estiver ao seu alcance para invalidar e prejudicar social e emocionalmente um/a outro/a irmã/o com quem sempre sentiu distância e rivalidade. Se a/o Filha/o Preferida/o faz algo que desagrada a mãe, podes apostar na rapidez que membros da família narcisista e anti sociais irão deslizar para se posicionarem como preferidos na esperança de manter a dinâmica da mãe afastada de outro/a filho/a!

Porque alguém faria tal coisa? Mais do que óbvio para MIMAR OS SEUS EGOS, os/as maiores bajuladores/as na família são aqueles tipicamente orientados para o status, competitivos social e emocionalmente mas que acima de tudo são mesquinhos e obcecados em GANHAR.

É aqui que a traição entra no jogo, pois pessoas com tendências Narcisistas Ocultas, escondem secretamente prejudicar um outro membro da família e vão acabar por sugar a energia deste copiosamente.

O padrão inclui não só, mas também:
- ex companheiros/as de adultos/as que foram em crianças, vítimas de Narcisistas, bajulando advogados numa tentativa de se promoverem para se vingarem do/a seu ou sua ex;
- pessoas que vêm em cidadãos seniores com uma mente frágil e são facilmente manipulados psicologicamente e emocionalmente para deixar às/os abusadores/as as suas heranças;
- aqueles/as que apenas pairam e não abusam do alvo directamente (mas sempre escondendo esse facto em segredo para evitar que a pessoa descubra que eles/as têm duas faces, são egoístas e sem ética).

Pais Narcisistas que abusam das suas crianças, geralmente criam pelo menos uma em quatro das crianças para ser abusiva. Persistentemente facilitam à criança, enquanto a inundam de elogios e incansavelmente a protegem socialmente.

Pais Narcisistas com várias crianças, criam fugitivos/as, filhos/as perdidos/as, rebeldes, e filhos/as preferidos/as. O/A adulto/a filho/a Abusador/a (que tem a mesma forma do Grupo B de pensar e agir) não tem que ser necessariamente o ou a filha preferida no seio familiar.

O título é dado à criança mais egoísta e auto centrada de todos os os irmãos. Filhos/as Preferidos/as acabam por vezes a humilhar-se perante seus abusadores para receberem atenção, mas depois acabam por fazer o oposto nas suas costas.

Entende que isto é um tipo de personalidade que faz criar o caos, trair a confiança dos seus irmãos e irmãs e ter atitudes impiedosas para assegurar o seu status social e material.
Por vezes essa pessoa é a filha adulta de pai/mãe tóxico/a, notavelmente uma conformada por natureza ou criação. Mas também pode ser um tio, uma tia, um/a ex, um/a filho/a que por natureza genética tomou os actos do Grupo B que tinham os seus avós, ou uma pessoa que foi andando até se inserir na rede familiar com a única intenção de espiar, sabotar relações interpessoais e que compulsivamente procura validação como a pessoa que mais importa na "sua" família alvo há anos.

Nota que Abusadores/as mentem, contornam a culpa, envergonham as vítimas, e fazem ou dizem coisas para fazer outras pessoas gostarem de si enquanto vão destruindo a reputação do alvo de narcisismo.

*Também acontece: Predadores/as fracos/as que bajulam tipos de personalidade do Grupo B acabam por ter um "mini acordar" violento, anos depois..."
(...)

continua...

Tradução livre por: Não Mais Vítima do site: FlyingMonkeysDenied@gmail.com

#TraíçãoFamiliar #Abusadores #Narcisismo #SemCulpa #ConhecimentoÉPoder #FilhosAdultosdeNarcisistas  #SeMinhasFeridasFossemVisíveis
Imagens: Jovens sem fronteiras; A Mente é Maravilhosa

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Crônicas de um Calango




Amigos, venho por meio desta, contar um causo que aconteceu comigo. Me mudei faz pouco tempo. Na casa anterior, me tinha uns calangos no pequeno quintal, todo murado e fechado, como uma caixa, aliás, aquela casa , desconfio que foi construída por Noé, a prova de Dilúvio 🙄😏. Enfim, entre lutas constantes para que os calangos não entrassem, eu coloquei uma tela na grade, também não tenho coragem de matar, eles limpam o local de insetos, apesar de toda luta, inglória, "os monstros" 🐊🐊entravam as vezes, e era um Paraná ué para tirar, eu cheia de coragem, só que não 🤣, minha filha  gritando em desespero ao ataque de monstros de tão grande porte. Os gatos, que por ali passaram, deram cabo 🙏 Muito bem.... 😏 Me mudo, e qual não é a minha surpresa que após três dias, me aparece um, que veio junto com a mudança 🙄, num apartamento, 🤔👌. O que fazer com um calango num AP? 🤔 KDCORAGEM? Enfim, a criatura das trevas, fingia medo qd me via. 😏 🙄 Depois de dez dias, se escondendo pela cozinha, ela desapareceu misteriosamente. Ontem em meio a caixas ainda e baldes, encontro o corpo lá petrificado dentro de um balde. 🙏 Peguei o balde, como toda a coragem que não tinha e joguei pra fora da janela, caiu no telhado alheio, eu ouvi o baque. Enfim, livre. Hoje pela manhã, a minha filha me chama e mostra a criatura, "sambando na cara dazinimigas no  telhado", o corpo não estava mais lá. ELA SIMULOU A PRÓPRIA MORTE 😳ELA PLANEJOU A MUDANÇA! TUDO ARQUITETADO! Não tive como não relacionar a minha experiência surreal com a lembrança do filme de terror, sim pra mim era de terror, ALIGATOR. Naquela cena em que o homem pega o infeliz do crocodilo 🐊 ainda bebê 🤔 e joga no vaso sanitário. Tempo depois, ele aparece, um monstro terrível, para se vingar do personagem. 😱😨😨😨

Crônicas de um calango
Iracema Correia "Medeiros" 🤔

segunda-feira, 23 de abril de 2018

O Direito ao FODA-SE!



O nível de stress de uma pessoa é inversamente proporcional à quantidade de “foda-se!” que ela fala”. Existe algo mais libertário do que o conceito do “foda-se!”? O” foda-se!”aumenta minha auto-estima, me torna uma pessoa melhor, reorganiza as coisas, me liberta. “Não quer sair comigo? Então foda-se!“.Vai querer decidir essa merda sozinho(a) mesmo? Então foda-se!” O direito ao “foda-se!”deveria estar assegurado na Constituição Federal”.
Os palavrões não nasceram por acaso. São recursos extremamente válidos e criativos para prover nosso vocabulário de expressões que traduzem com a maior fidelidade nossos mais fortes e genuínos sentimentos. É o povo fazendo sua língua. Como o Latim Vulgar, será esse Português Vulgar que ingará plenamente um dia. “Pra caralho”, por exemplo. Qual expressão traduz melhor a idéia de muita quantidade do que “pra caralho”? Pra caralho” tende ao infinito, é quase uma expressão matemática. A Via-Láctea tem estrelas pra caralho . O Sol é quente pra caralho, o universo é antigo pra caralho, eu gosto de cerveja pra caralho, entende?
No gênero do “Pra caralho”, mas, no caso, expressando a mais absoluta negação, está o famoso “Nem fodendo!” O “Não, não e não!” é tampouco e nada eficaz e já em nenhuma credibilidade. O “Nem fodendo!” é irretorquível e liquida o assunto. Te libera, com a consciência tranqüila, para outras atividades de maior interesse em sua vida. Aquele filho pentelho de 17 anos te atormenta pedindo o carro pra ir surfar no litoral? Não perca tempo nem paciência. Solte logo um definitivo: “Marquinhos, presta atenção, filho querido, NEM FODENDO!”. O impertinente se manca na hora e vai pro Shopping se encontrar com a turma numa boa, e você fecha os olhos e volta a curtir a sua musica.
Por sua vez, o “porra nenhuma!” atendeu tão plenamente as situações onde nosso ego exigia não só a definição de uma negação, mas também o justo escárnio contra descarados blefes, que hoje é totalmente possível imaginar que possamos viver sem ele em nosso cotidiano profissional. Como comentar a gravata daquele chefe idiota senão com um “é PHD porra nenhuma!”ou “ele redigiu aquele relatório sozinho porra nenhuma!”. O “porra nenhuma”, como vocês podem ver, nos provê sensações de incrível bem estar interior. É como se estivéssemos fazendo a tardia e justa denúncia pública de um canalha. São dessa mesma gênese os”aspone”,”chepone”,”repone” e mais recentemente o “prepone” – presidente de porra nenhuma.
Há outros palavrões igualmente clássicos. Pense na sonoridade de um “Puta que pariu!”, ou seu correlato “Pu-ta-que-o-pa-riu!!!”, falados assim, cadenciadamente, sílaba por sílaba. Diante de uma notícia irritante qualquer um “puta-que-o-pariu!” dito assim te coloca outra vez em seu eixo. Seus neurônios têm o devido tempo e clima para se reorganizar e sacar a atitude que lhe permitirá dar um merecido troco ou o safar de maiores dores de cabeça.
E o que dizer de nosso famoso “vai tomar no cu!”? E sua maravilhosa e reforçadora derivação “vai tomar no olho do seu cu!”. Você já imaginou o bem que alguém faz a si próprio e aos seus quando, passado o limite do suportável, se dirige ao canalha de seu interlocutor e solta: Chega! Vai tomar no olho do seu cu!”. Pronto, você retomou as rédeas de sua vida, sua auto-estima. Desabotoa a camisa e sai à rua, vento batendo na face, olhar firme, cabeça erguida, um delicioso sorriso de vitória e renovado amor-íntimo nos lábios.
E seria tremendamente injusto não registrar aqui a expressão de maior poder de definição do Português Vulgar: “Fodeu!”. E sua derivação mais avassaladora ainda: “Fodeu de vez!”. Você conhece definição mais exata, pungente e arrasadora para uma situação que atingiu o grau máximo imaginável de ameaçadora complicação? Expressão, inclusive, que uma vez proferida insere seu autor em todo um providencial contexto interior de alerta e auto-defesa. Algo assim como quando você está dirigindo bêbado, sem documentos do carro e sem carteira de habilitação e ouve uma sirene de polícia atrás de você mandando você parar: O que você fala? “Fodeu de vez!”.
“Liberdade, igualdade, fraternidade e foda-se!!!”
Millor Fernandes

terça-feira, 17 de abril de 2018

Infidelidade



Apenas tecendo observações pontuais sobre o filme Infidelidade, protagonizado por Diane Lane, Richard Gere e Olivier Martinez.


São filmes atemporais. Costumo assistir a filmes antigos, não me jogo na onda de "tenho que ver primeiro". Creio que o filme deve ser apreciado, como um bom vinho ou qualquer comida apetitosa. Faz bem a minha alma e ao meu cérebro, assistir bons filmes. Como sou apaixonada por dramaturgia, não é qualquer "coisa posta à mesa" que me satisfaz. Sim, tenho gosto bem peculiar para bons filmes, e bons atores, de fato. Numa visão extremamente particular e pessoal, teço abaixo as observações a seguir:


Connie, uma mulher, bem casada com um marido extremamente família, certinho, metódico, pé no chão, um filho de aproximadamente cinco a seis anos, a quem, tinha toda a devoção, e atenção. O pai, Edward, cuidava deste garoto com afeto, dando-lhe a atenção que todo filho único normalmente recebe, momentos íntimos do casal eram subitamente quebrados por um chamado do garoto. Eram  quebrados. Nesta cena, o filme mostrou uma rotina de todo casal com filho pequeno. A mulher do lar, acorda toda manhã e cuida do café, vestuário, merenda, roupa do marido, preocupação com o almoço, com bazares, questões sociais e lá se vai o marido ganhar o pão, garanti-lo, numa rotina entediante entre a cidade e o subúrbio. Escolha de Connie, morar no subúrbio. Achou melhor para o crescimento e desenvolvimento do filho Charlie. Idas e vindas à cidade, Connie esbarra literalmente com Paul Martel, um francês, jovem, que a convida para entrar e cuidar dos ferimentos causados pela queda ,estava ventando muito e mal dava para manterem-se de pé na rua. Connie entra, ressabiada e dái veremos Connie entre desejo e culpa, seduzida pelo novo, jovial, aventureiro, sempre disposto em qualquer horário para proporcioná-la orgasmos devassadores, contrastando com a sua rotina, enquanto mulher de Edward. O casamento dos dois é posto sutilmente em análise, principalmente na mente da esposa que traia, pois na mente de Edward, o esposo, tudo parecia, normal, aí é que tá, PARECER NORMAL. Esta aparente normalidade que Connie tentou manter por um tempo, apenas por um tempo, enquanto tentava se dividir entre, o desejo ardente por Paul e suas obrigações enquanto mulher, fez com que a mesma fosse liberando aos poucos, em doses homeopáticas, como um peixe indo a caminha da isca, toda a discrição que queria manter. Na verdade, nem ela sabia o que estava acontecendo. Seu esposo, detalhista Edward, lógico que começou a notar que algo mudou a sua rotina, algo estava ANORMAL. E daí toda o desenrolar do filme acontece entre um crime cometido, o seu encobertar, e a lealdade entre os casais que veio se fortalecer, bem no final do filme.


    LEALDADE é a palavra, creio que antes de alguém ser infiel, este alguém já deixou de ser leal. Quando Connie dá um presente que Edward lhe deu e passa para Paul, ela demonstra um total desleixo pelos tempos vividos, com o esposo. Penso que ainda que você esteja numa nova relação, o que você viveu por anos a fio com outra pessoa, deve ser respeitado e mantido lá, onde só pertence aos dois. Seria Connie uma mulher Vadia, vagabunda? Acho perigosíssimo este julgamento. Pois é assim que a sociedade machista sempre atribui à mulher este título, independente de circunstâncias, o homem a traindo ou ela traindo o homem. Não, não a vejo assim e o próprio Edward sentiu, culpa, por talvez, ter deixado, na mente dele, o casamento chegar à um nível de rotina onde a sua esposa buscava ardentemente SER MULHER, desejada, tocada, de uma forma especial, inusitada, livre, lasciva, libidinosa.Isso era notório na cena do metrô, onde o filme apresenta cenas quentes entre Connie e Paul que passam enquanto Connie, fecha os olhos, sorri marotamente e ao mesmo tempo, faz gestos de censura, como se alguém estivesse lendo os seus pensamentos. Notório é perceber que o fim de tudo não foi dado por ela, nem pelo amante, nem tampouco pela "traição" do amante. Que era apenas uma rapaz, sedutor que tinha várias "Connies" pela cidade. Ainda assim, ela queria ele como que um vício. Dividindo a sua mente entre desejo, culpas e responsabilidades. O pior ou o melhor é que seu marido descobriu tudo. Para quem já assistiu sabe o desfecho e para quem não, corre lá e assista, caso interesse. 

    O que eu diria a Connie? Difícil viu. Primeiro que ela não me perguntaria ( risos) e é muita responsabilidade saber. Penso que quando a gente está com alguém e está de olho em outro, é porque há algo de errado. Por outro lado, se sairmos por aí envolvendo-se em aventuras mil, podemos perder o sabor inusitado da primeira mordida, como a droga faz com o organismo da pessoa. Casamento e convivência, nos leva à circunstâncias diversas ao lado de um outro que, nem toda hora estará sensual, libidinoso, disposto, inovador, mas que poderá estar ao seu lado, TALVEZ, em outros momentos que somados ao sexual e íntimo, sedimentam uma relação. O novo, o lascivo, aventureiro e irresponsável, um dia torna-se também rotineiro.Paul foi grosso, na primeira oportunidade de desentendimento entre os dois, coisas que não aconteciam entre ela e Edward. Aqui é uma leitura, resenha minha sobre o filme e minhas considerações, obviamente bem sucinta deste filme que conseguiu me prender. Não atribuo aqui, valores morais a nada e nem a ninguém. Afinal cada um sabe a dor e a delícia de ser quem é.


Iracema Correia



sábado, 14 de abril de 2018

Eu não quero mais mentir....usar espinhos que só causam dor.






"Eu não enxergo mais o inferno que me atraiu 
dos cegos do castelo me despeço e vou
a pé até encontrar
um caminho, o lugar
pro que eu sou..."

    Hoje uma pessoa me disse que ao ouvir esta belíssima música de Nando Reis, se lembrou de mim. E cantou o trecho acima que ela considerava mais forte a característica. Como não sentir-se lisonjeada ao ouvir uma música de boa qualidade ser associada a minha pessoa? É certo que a música, como uma bela poesia, é sentida e tocada por cada pessoa de uma forma muito particular, peculiar, subjetiva, ainda que o autor desta, tenha outro propósito. Essa é o real sentido da mesma. Ser sentida, fecharmos os olhos ao ouví-la e "viajarmos" para qualquer dimensão.
    Deveras...., ultimamente tenho fugido dos espinhos que me causam dor,esquecendo e não querendo enxergar o inferno que me atraiu. Buscando, até a pé, um caminho em que eu me encontre. E essa é a grande sacada da vida, seguir estes instintos mentais. O que faz você pulsar, o que te traz paz e não guerra. As vezes é difícil se libertar de situações de padrões, repetições de situações desnecessárias. Sair de um universo  que não passa de uma mentira, tantos universos,muitas vezes preferidos do que este mundão real. Como o mundo é algo "ameaçador", as vezes utilizamos de todas as formas de fuga e todos os seus "efeitos colaterais", a infelicidade é um destes efeitos e o seu antônimo o desejo de todos.
    Vejo nesta música, independente de qualquer situação, um alguém que acorda pra vida, que percebe que não dá mais para continuar, seja lá qual for a situação.Dormindo de olhos abertos, vendo a vida passar, estando inerte, não.  Chega!!!  EU VOU LEVANTAR! Por mim, pois há muita vontade de mudar, de viver literalmente ' e SE ' caso' você quiser me achar, e se você me trouxer o seu lar, eu vou cuidar, do seu jardim,... jantar...céu e mar'.

Iracema Correia
    

Tantas vidas pra viver!



As vezes penso em punição do universo. Uma conspiração contra uma pessoa que tem muitas vidas pra viver, antes de partir desta vida física. Tantas pessoas cheias de saúde mas tão vazias de vida, que não aproveitam esta vida para dar o seu melhor. Tanta vida pra viver ! E me vejo limitada entre dores, cansaço e fadiga eterna, uma depressão química que me foi apresentada desde criança. Tanta vida pra viver! Querendo tanto conhecer o melhor do mundo, das pessoas. Criar projetos e os por em prática. Então não raro me vejo paralisada diante da dor. A dor atinge o meu ser e me faz pensar em se estou pagando uma multa muito alta nesta vida. Paro, penso e como viver lamentando é algo nada positivo. Prefiro pensar que a vida está me dando uma chance de aprender a viver um dia de cada vez.. . Aos poucos, se não consegui hoje, teremos o amanhã, quem sabe. Aprendendo com muito afinco, a adaptar a vida conforme a Fibromialgia vai me permitindo. Na procura de serotoninas naturais, analgésicos naturais, relaxando a fibra muscular, o máximo possível. Essa sou eu em minha passagem por esta doce e amarga vida.

Iracema Correia 💋