terça-feira, 17 de abril de 2018

Infidelidade



Apenas tecendo observações pontuais sobre o filme Infidelidade, protagonizado por Diane Lane, Richard Gere e Olivier Martinez.


São filmes atemporais. Costumo assistir a filmes antigos, não me jogo na onda de "tenho que ver primeiro". Creio que o filme deve ser apreciado, como um bom vinho ou qualquer comida apetitosa. Faz bem a minha alma e ao meu cérebro, assistir bons filmes. Como sou apaixonada por dramaturgia, não é qualquer "coisa posta à mesa" que me satisfaz. Sim, tenho gosto bem peculiar para bons filmes, e bons atores, de fato. Numa visão extremamente particular e pessoal, teço abaixo as observações a seguir:


Connie, uma mulher, bem casada com um marido extremamente famĂ­lia, certinho, metĂłdico, pĂ© no chĂŁo, um filho de aproximadamente cinco a seis anos, a quem, tinha toda a devoção, e atenção. O pai, Edward, cuidava deste garoto com afeto, dando-lhe a atenção que todo filho Ăşnico normalmente recebe, momentos Ă­ntimos do casal eram subitamente quebrados por um chamado do garoto. Eram  quebrados. Nesta cena, o filme mostrou uma rotina de todo casal com filho pequeno. A mulher do lar, acorda toda manhĂŁ e cuida do cafĂ©, vestuário, merenda, roupa do marido, preocupação com o almoço, com bazares, questões sociais e lá se vai o marido ganhar o pĂŁo, garanti-lo, numa rotina entediante entre a cidade e o subĂşrbio. Escolha de Connie, morar no subĂşrbio. Achou melhor para o crescimento e desenvolvimento do filho Charlie. Idas e vindas Ă  cidade, Connie esbarra literalmente com Paul Martel, um francĂŞs, jovem, que a convida para entrar e cuidar dos ferimentos causados pela queda ,estava ventando muito e mal dava para manterem-se de pĂ© na rua. Connie entra, ressabiada e dái veremos Connie entre desejo e culpa, seduzida pelo novo, jovial, aventureiro, sempre disposto em qualquer horário para proporcioná-la orgasmos devassadores, contrastando com a sua rotina, enquanto mulher de Edward. O casamento dos dois Ă© posto sutilmente em análise, principalmente na mente da esposa que traia, pois na mente de Edward, o esposo, tudo parecia, normal, aĂ­ Ă© que tá, PARECER NORMAL. Esta aparente normalidade que Connie tentou manter por um tempo, apenas por um tempo, enquanto tentava se dividir entre, o desejo ardente por Paul e suas obrigações enquanto mulher, fez com que a mesma fosse liberando aos poucos, em doses homeopáticas, como um peixe indo a caminha da isca, toda a discrição que queria manter. Na verdade, nem ela sabia o que estava acontecendo. Seu esposo, detalhista Edward, lĂłgico que começou a notar que algo mudou a sua rotina, algo estava ANORMAL. E daĂ­ toda o desenrolar do filme acontece entre um crime cometido, o seu encobertar, e a lealdade entre os casais que veio se fortalecer, bem no final do filme.


    LEALDADE Ă© a palavra, creio que antes de alguĂ©m ser infiel, este alguĂ©m já deixou de ser leal. Quando Connie dá um presente que Edward lhe deu e passa para Paul, ela demonstra um total desleixo pelos tempos vividos, com o esposo. Penso que ainda que vocĂŞ esteja numa nova relação, o que vocĂŞ viveu por anos a fio com outra pessoa, deve ser respeitado e mantido lá, onde sĂł pertence aos dois. Seria Connie uma mulher Vadia, vagabunda? Acho perigosĂ­ssimo este julgamento. Pois Ă© assim que a sociedade machista sempre atribui Ă  mulher este tĂ­tulo, independente de circunstâncias, o homem a traindo ou ela traindo o homem. NĂŁo, nĂŁo a vejo assim e o prĂłprio Edward sentiu, culpa, por talvez, ter deixado, na mente dele, o casamento chegar Ă  um nĂ­vel de rotina onde a sua esposa buscava ardentemente SER MULHER, desejada, tocada, de uma forma especial, inusitada, livre, lasciva, libidinosa.Isso era notĂłrio na cena do metrĂ´, onde o filme apresenta cenas quentes entre Connie e Paul que passam enquanto Connie, fecha os olhos, sorri marotamente e ao mesmo tempo, faz gestos de censura, como se alguĂ©m estivesse lendo os seus pensamentos. NotĂłrio Ă© perceber que o fim de tudo nĂŁo foi dado por ela, nem pelo amante, nem tampouco pela "traição" do amante. Que era apenas uma rapaz, sedutor que tinha várias "Connies" pela cidade. Ainda assim, ela queria ele como que um vĂ­cio. Dividindo a sua mente entre desejo, culpas e responsabilidades. O pior ou o melhor Ă© que seu marido descobriu tudo. Para quem já assistiu sabe o desfecho e para quem nĂŁo, corre lá e assista, caso interesse. 

    O que eu diria a Connie? DifĂ­cil viu. Primeiro que ela nĂŁo me perguntaria ( risos) e Ă© muita responsabilidade saber. Penso que quando a gente está com alguĂ©m e está de olho em outro, Ă© porque há algo de errado. Por outro lado, se sairmos por aĂ­ envolvendo-se em aventuras mil, podemos perder o sabor inusitado da primeira mordida, como a droga faz com o organismo da pessoa. Casamento e convivĂŞncia, nos leva Ă  circunstâncias diversas ao lado de um outro que, nem toda hora estará sensual, libidinoso, disposto, inovador, mas que poderá estar ao seu lado, TALVEZ, em outros momentos que somados ao sexual e Ă­ntimo, sedimentam uma relação. O novo, o lascivo, aventureiro e irresponsável, um dia torna-se tambĂ©m rotineiro.Paul foi grosso, na primeira oportunidade de desentendimento entre os dois, coisas que nĂŁo aconteciam entre ela e Edward. Aqui Ă© uma leitura, resenha minha sobre o filme e minhas considerações, obviamente bem sucinta deste filme que conseguiu me prender. NĂŁo atribuo aqui, valores morais a nada e nem a ninguĂ©m. Afinal cada um sabe a dor e a delĂ­cia de ser quem Ă©.


Iracema Correia



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