quarta-feira, 12 de abril de 2017

Do fundo da minha alma, expurgando a dor que mais dói.







Se todos soubessem como é complicado ter que responder todos os dias a mesma pergunta: E aí, melhorou?." Eu: "..cri cri cri". Não tenho o que responder! Desejo do fundo do coração estar bem. Desejo livrar-me de tantas perícias médicas e ter que me explicar. É um sentimento de sufocamento. Luto a cada dia pra ser independente e evitar ser um fardo para alguém. Na verdade, não por orgulho mas por medo ou falta de jeito de ser cuidada. Não sei ser cuidada. Não entendo como isso funciona porque comigo, nunca aconteceu. É um frio na alma que acredito ter contribuído para estas dores físicas se instalarem no meu corpo. Questões psicossomáticas permeiam o meu corpo inchado, como um território, outrora utilizado em combate e que ficaram minas ali enterradas. Minas em cada inchaço, minas nos pés, punhos, ombros. Um cansaço de ter que cuidar deste corpo frágil que a qualquer momento, parece que vai explodir. Sinto minha vida, por vezes tão inútil, lutando contra a doença, sinto que sou um peso morto para quem  vier a estar ao meu lado. Sinto que tudo isto pesa. A cabeça séria, irritada a cada TPM.Haja saco conviver com alguém assim! Nem eu por vezes me aguento. Sinto que a Fibromialgia parece Carma de outras vidas. Talvez para que eu entenda que nesta vida, abaixe a minha cabeça e sinta que não sou nada mais que um ser humano limitado, que não encontrará a felicidade, NUNCA.Sinto muito porque não entendo o porquê deste prejuízo na minha alma e corpo. Sinto a minha obrigação de mãe que me chama a cada dia para realizar com amor e paciência o meu dever.E é por  tudo isto VIDA, que ainda estou aqui. Um desabafo sincero de quem tem lutado a cada dia contra a depressão. Longe de querer que alguém tenha pena de mim, pena é um sentimento desgraçado, e como eu disse anteriormente, eu não sei ser cuidada, não aprendi porque nunca fui. Agora teclo com dores nos braços, costas , cervical, lombar e pés. Que graça há nesta vida viver assim? Eu não vivo, eu sobrevivo. Todos os dias é matando um leão por dia. Mesmo no riso, o coração talvez sinta dor. No meu caso, não há um talvez e sim toda uma certeza. De toda dor que carrego no meu peito. Mesmo assim eu vivo, porque estou aqui, ora brincando de ser feliz, ora expurgando a dor em mais um desabafo.

Iracema Correia

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